Pedalando entre os vinhedos de Mendoza

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Curtir o vento no rosto, sentir o cheiro de mato e asfalto, admirar boquiaberto a Cordilheira com neve nos cumes e, ao final, degustar uma boa taça de vinho. Essa é essência do cicloturismo em Mendoza.

Nada de percorrer dezenas de quilômetros ou bater recorde de velocidade. O objetivo é simplesmente admirar os parreirais e a paisagem rural de um forma diferente, sem a barreira dos vidros dos carros e sem a distração dos som automotivos.

O trajeto escolhido foi uma rota de cerca de 2km até a Bodega Carinae, em Maipu, próxima do hotel Aguamiel, onde estávamos hospedados. No mapa improvisado, que continha todo o desenho da cidade de Mendoza e adjacências, a rota até a Bodega era uma linha reta de não mais de um centímetro.

As bicicletas alugadas não tinham freio traseiro, nem tinham marchas. Bem ou mal, andavam. E, na realidade, uma das bicicletas sequer andava em linha reta, em razão da roda torta. Equipamento de segurança era algo absolutamente inexistente.

Diante da impossibilidade da troca imediata das bicicletas ou de conseguir capacetes, saimos assim mesmo: sem guia, com um mapa cuja escala não ajudava, e com bicicletas literalmente caindo aos pedaços.

Pedalando em MendozaPedalando em Mendoza

Fotos: Arquivo pessoal

Apesar dos perrengues, o passeio foi maravilhoso!

A linha reta do mapa até a Bodega se revelou, ao final, bastante curva… Paramos diversas vezes para pedir informações. Pedalamos por ruas asfaltadas e por outras que nunca tinham visto asfalto. Acostamento também era coisa rara. Dividíamos o espaços com os poucos carros que transitavam no local. Talvez pelo nosso porte de turista, todos os carros desviam quando se aproximavam do nosso grupo de quatro bicicletas. Só lembro de um ou dois motoristas que buzinaram tentando nos expulsar da pista…

Pedalando em Mendoza

Foto: Arquivo pessoal

Já imaginava que não encontraríamos a Bodega, já que a maioria das pessoas que encontramos no caminho não conhecia o local. A sorte foi que um solícito senhor nos guiou até lá.

A Bodega, criada em 2003, pertence a um casal de franceses. O nome Carinae é referência à constelação Eta Carinae, situada na Via Lactea, que pode ser vista a olho nu no hemisfério sul.

Pedalando em Mendoza

Foto: Arquivo pessoal

A bodega se autointitula bodega boutique, mas confesso que não entendi o porquê da denominação. Se for em homenagem aos chamados hotéis boutique, sinônomimo de instalações charmosas, com um projeto arquitetônico diferenciado e atendimento personalizado, confesso que acho que a comparação descabida. O lugar é rústico e a decoração é inexistente, quase impessoal… Vai ver o termo boutique quer se referir ao fato da bodega ser pequena.

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Fotos: Arquivo pessoal

O destaque da vinícola fica por conta da simpatia dos atendentes e do pequeno número de turistas que visitam o local.

Optamos por pular a visita às instalações bodega e passamos direto à degustação. Diferentemente das demais bodegas que visitamos (Terrazas de los Andes, Zuccardi e Catena Zapata), é possível escolher entre diversos tipos de degustação, que recebem nomes relacionados às estrelas e constelações. A mais simples é a Orion e inclui a degustação de cinco taças de vinhos, de diferentes cepas (torrontés, malbec, cabernet sauvignon e syrah). O valor é de $40 pesos, cerca de R$ 17.

A degustação Canopus me pareceu bem interessante, por ter como objetivo diferenciar os vários tipos de malbec produzidos na vinícola – malbec rosado, malbec tinto, malbec reserva, malbec finca deneza e malbec gran reserva. Seu valor é $45 pesos, cerca de R$ 19. Nas demais degustações, os preços variam de $55 a $100 pesos, a depender da qualidade do vinhos (se linha jovem, reserva ou gran reserva), sendo que na degustação mais cara (a de $100 pesos) é possível degustar toda linha Carinae.

Pedalando em MendozaPedalando em Mendoza Pedalando em Mendoza Pedalando em Mendoza

Fotos: Arquivo pessoal

Como a ideia não é sair da bodegas de mãos vazias depois das degustações, compramos duas garrafas de torrontés e tivemos um trabalho meticuloso de amarrá-las na bicicleta. Felizmente, o único tombo de bicicleta não foi suficiente para danificar as garrafas.

Pedalando em Mendoza

No trajeto de volta para o hotel, o conforto às pernas sedentárias foi a visão estonteante das montanhas.

Pedalando em MendozaPedalando em MendozaMendoza

Fotos: Arquivo pessoal

A chave de ouro do passeio foi, porém, longe das bicicletas… Decidimos relaxar na piscina, com uma taça de torrontés nas mãos, esperando dar a hora do almoço.

Por fim, tenho que registrar que as bicicletas foram alugadas na empresa Bikes and Wines, pelo preço de $90 pesos o casal (cerca de R$ 40), para o dia inteiro, incluindo a taxa para deixar e buscar as bicicletas no hotel. Não recomendo esse serviço, dado o péssimo estado de conservação das bicicletas que nos foram entregues. Em consulta à internet, verifiquei que existem várias outras empresas que alugam bicicletas em Mendoza, como a Maipu ñi Kume, a Mendoza Wine Bike Tour e a Mendoza Mountain Bike.

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11 respostas

  1. Anna, belíssimo o post". Estive lá em fevereiro desse ano, mas tive apenas dois dias – antes de seguir rumo ao sul – e dediquei mais tempo ao passeio curto ao Aconcágua. Passei rápido pelas bodegas em Luján. Vendo esta foto e lendo seu post, apenas quero confirmar se esta rua é em Maipu mesmo, já que não lembro de ter visto essa visão em Luján. Abraço e obrigado!

    Responder

    Anna Bárbara Respondeu:
    setembro 12th, 2012

    Olá Rogério!
    Obrigada pelo elogio!
    Essas fotos foram tiradas em Maipú sim, bem próximo do Hotel Aguamiel e da Bodega Carinae.
    Segundo informações do site do hotel, o nome da região é Lunlunta, uma pequena localidade do departamento de Maipú, cerca de 20 minutos do centro de Mendoza.
    Bjs, Anna

    Responder

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