Olímpiadas de Londres, na opinião de quem esteve por lá!!

Quem escreve o post de hoje é o nosso amigo Carlos Frederico. Ele acompanhou as Olimpíadas de Londres in loco e conta aqui como foi a sua experiência.

 

“Quando do anúncio, em 2005, de que Londres seria sede dos Jogos Olímpicos de 2012, já tinha a certeza de que só mesmo algum motivo tão grandioso iria me impedir de ir às Olimpíadas. Junte-se a essa motivação, o fato de que tenho uma irmã que mora perto de Londres. Além disso, já conhecia a cidade o suficiente pra poder me virar lá sem grandes problemas. Não tinha como eu não ir!

Olimpíadas de Londres

Portanto, espero poder compartilhar com os leitores do blog um pouco das minhas impressões do que foram os Jogos Olímpicos de Londres, do que vi e, sendo possível, repassar algumas dicas quanto a uma viagem para um grande evento como esses.

Decidi separar esse post por tópicos para facilitar a minha escrita e a sua leitura. Vou começar do início (óbvio!!!) do processo e pretendo ir até o fim (mais óbvio ainda!!!).

Passagens aéreas

Passagens para a Europa costumam ser caras, especialmente durante o verão e ainda mais para Londres. Você pode imaginar então somar a esses fatores, um grande evento acontecendo nessa cidade. 

Já tinha ido a Londres umas quatro vezes. Em média, gastava por passagem de ida e volta algo em torno de R$ 2.500 à R$ 3.000, divididos em 5 parcelas. Nessa viagem, a passagem custou R$ 3.400 dividida em modestas 4 parcelas. Isso porque se eu tentasse voltar dois dias depois, justamente no fim dos Jogos Olímpicos, teria que desembolsar algo em torno de R$ 4.000. Uma facada!!!

O detalhe mais sórdido disso é que eu comprei a passagem com OITO meses de antecedência e voo saía de Londres às 6 da manhã de Heathrow, fazendo conexão em Lisboa para mais 9 horas de voo diurno até Brasília, o que para mim foi um inferno. Portanto, tenha em mente que as empresas aéreas costumam e vão querer se aproveitar desses eventos ao máximo.

É válido, para economizar uma graninha preciosa, fazer muita pesquisa de preço e calcular alguns itinerários de voo mais longos e com mais conexões, isso se o viajante estiver disposto a tal.

Ah sim, eu fui de TAP. Apesar do valor, não tive grandes problemas com a empresa.

Ingressos

Para mim e para várias pessoas, a aquisição de ingressos foi um dos pontos falhos da organização dos Jogos Olímpicos.

Funcionou da seguinte forma: como a demanda é muito maior que a oferta, foi necessário realizar uma espécie de sorteio de possibilidade de aquisição de ingressos. O sujeito se candidatava a comprar os ingressos que desejava e alguns meses depois era dado resultado se ele conseguiu ou não.

Lembro que eu e meu irmão nos candidatamos a mais ou menos 12 modalidades e quase todos os dias dos jogos. Conseguimos apenas 3 modalidades e cinco dias de evento. Ou seja, existe a grande possibilidade de você se frustrar em não conseguir o ingresso que tanto deseja e ter que se contentar com uma modalidade que não necessariamente era a sua prioridade. E para dificultar mais ainda, esse sorteio foi restrito apenas a cidadãos de algumas nações europeias, o que fez com que a minha irmã (que é cidadã europeia) comprasse todos os ingressos e se comprometesse financeiramente com isso, o que pode ser uma coisa muito chata.

E quem não era europeu, como conseguia ingressos? Nesse caso, o Comitê Olímpico Organizador dispunha uma cota de ingressos para os comitês olímpicos de cada país, que os vendia da forma como lhes fosse mais conveniente. No caso do Brasil, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) “terceirizou” a venda da cota brasileira para a Tamoyo Turismo.

No caso, essa venda não foi feito por sorteio. A Tamoyo os vendeu da maneira tradicional, o que para mim não foi grande problema. O que complicou foi o fato de que a Tamoyo não fez entrega a domicílio de ingressos: obrigou os compradores brasileiros a buscá-los no Rio de Janeiro e São Paulo durante apenas uma semana e permitiu que fosse dada procuração a terceiros para a retirada, isso sem contar o fato de que ainda foi cobrado taxa de conveniência.

Outro fato que pode ser bastante frustrante na aquisição de ingressos é que o espectador não necessariamente vai ser contemplado com o ingresso de uma partida do seu país. Até aí, tudo bem, faz parte do risco. Todavia, o Comitê Organizador Local (COL) não criou meios de que houvesse a possibilidade troca de ingressos entre diferentes pessoas para facilitar o acesso a partidas de sua nação. Era muito comum ver antes das partidas, pessoas com plaquinhas na mão oferecendo os seus ingressos adquiridos em troca de ingressos de partidas de seus países.

Fui obrigado a assistir Estados Unidos e Coréia (que foi um jogão, justiça seja feita) no vôlei feminino, sabendo que mais tarde o Brasil jogaria contra o Japão. Isso acabava afetando a empolgação do público que era obrigado a “torcer” por outros países. É muito provável que na Copa de 2014 e nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016 será adotado a venda sorteada de ingressos. Assim, fica a dica: tente comprar o máximo de ingressos possíveis.

Hospedagem

A ganância pode ser bastante perniciosa. A prefeitura de Londres estimava o acréscimo de 300 mil pessoas a mais no seu fluxo de turistas durante o período das Olimpíadas. Todavia, a quantidade foi muito abaixo do esperado: apenas 100 mil pessoas.

Um dos fatores que parece ter provocado essa perda significativa de visitantes foi a especulação hoteleira que ocorreu meses antes dos Jogos Olímpicos. Londres já é uma cidade bastante cara em termos de hotelaria. Durante esse período os preços foram às alturas.

Eu e meus amigos pagamos em um quarto triplo de um hotel econômico em Wembley (bairro distante do centro) a bagatela de 423 libras (R$ 1300) durante quatro dias. O hotel era um pulgueiro, a ponto de eu testemunhar o gerente expulsar um sujeito que insistia em se esconder da polícia dentro da recepção. O café da manhã era uma negação e o staff não sabia dar qualquer tipo de informação.

Para a nossa frustração, descobrimos que em função do número abaixo das expectativas de turistas esperados, a diária de outros hotéis melhores ficou mais barata que o nosso. Espero que o Rio de Janeiro tenha aprendido a lição de que não serão todas as pessoas que estarão dispostas a pagar uma fortuna de hospedagem só por conta de um evento internacional.

O Clima e as Pessoas

Era possível notar no ar a empolgação dos londrinos pelos Jogos Olímpicos. Era bastante comum ser perguntado pelos atendentes no comércio se viemos por conta das Olimpíadas e o que íamos assistir. Ingleses são formais por natureza, mas parece que esses Jogos quebraram um pouco desse gelo.

Foi uma experiência bastante curiosa ter assistido a Abertura em um Pub na região central de Londres. Era curioso ver a reação dos frequentadores quando eram mostrados aspectos da cultura britânica muito particular a eles e que só eles conseguiam entender melhor. Foi surpreendente perceber que os caras realmente idolatram a Família Real a ponto de cantarem em uníssono o “God Save the Queen” e se emocionarem; também foi interessante notar que ainda resiste certa rivalidade com a França, a ponto dos frequentadores do terem dado uma salva de vaias quando da entrada da delegação francesa. Em suma, eventos como esse pode ser um momento privilegiado de captar as nuances culturais de cada povo.

Transportes

Uma beleza! Tudo muito pontual, organizado e eficiente. Majoritariamente utilizamos o eficiente sistema de metrô e trem de superfície londrino. Quando havia algum atraso, era algo em torno de poucos minutos. A cobertura era algo invejável. Pouquíssimas eram as praças olímpicas que não tinham uma estação de metrô por perto.

A sinalização para os locais era bastante adequada e de maneira geral, era possível chegar a um local de evento por diferentes linhas.

Quanto ao valor do transporte, a organização conseguiu tirar isso de letra: para cada ingresso comprado, a organização disponibilizava um travel card para o dia inteiro. Economizava-se algo em torno de 12 libras por dia com essa iniciativa.

Porém, isso não quer dizer que não houve problemas. Durante os dias da semana, as linhas de metrô mais utilizadas para o acesso às praças olímpicas ficavam muito cheias, especialmente ao final do evento. Não havia confusão, empurra-empurra e nem nada. Só muita gente confinada em um mesmo espaço. Isso era algo que, em alguns momentos, beirava o insuportável.

Lembro-me que quando voltava de Wimbledon, o trem teve que ficar parado durante uns dez minutos em função do congestionamento da linha. E naquele dia em especial, o vagão estava (pra não dizer as pessoas) extremamente fedido. Isso sem contar que em dias quentes, o calor que faz dentro do metrô é infernal, pois o seu sistema de calefação é mais eficiente que o de refrigeração.

O contrário pode se dizer acerca dos trens regionais. Fizemos uma viagem de dois dias à Escócia (vale muito a visita) e o serviço foi de primeira linha, mesmo para a classe econômica: assentos espaçosos, staff bastante prestativo e educado em um trem de alta velocidade. Foi uma viagem bastante confortável.

Segurança

Foi de dar exemplo! Ainda que Londres seja um alvo privilegiado para ataques terroristas, em nenhum momento foi possível notar um clima de opressão no ar.

Os policiais da Scotland Yard transmitiam a segurança necessária, de maneira bastante amigável e, vale a ressalva, desarmados. Poucas vezes vi policiais armados e era bastante comum ver turistas tirando fotos bastante descontraídas com policiais, o que não demonstrava um esquema de segurança frouxo. Tive conhecimento que o que parece ter sido fundamental para a garantia da segurança nos Jogos Olímpicos foi a combinação de câmeras de segurança com a vigilância de centrais de inteligência. Indivíduos suspeitos eram acompanhados à distância, diminuindo a sensação de opressão.

Instalações olímpicas

Formidáveis, é o que se pode dizer a respeito. Fácil acesso, espaçosas, muito bem sinalizadas e com uma quantidade suficiente de voluntários prontos para que você não se perca, ainda que tenha acontecido de alguns voluntários não terem disponibilizado informações precisas em algumas situações, por mais gentis e simpáticos que fossem.

A revista para acesso, que era algo que acreditava que ia ser um tormento, foi rápida e tranquila. Na maior parte dos eventos, era a tradicional revista de aeroporto com raio-x, detector de metais e informação quanto a restrição de acesso a certos objetos e líquidos. Geralmente, eram soldados britânicos que faziam a revista, e os caras eram muito educados e bastante bem humorados. Não havia nenhum clima de opressão no ar durante esse momento.

A praça olímpica que mais chamou a minha atenção foi a de Horses Guard Parade, onde aconteceu o vôlei de praia. A organização conseguiu compor um visual de dar inveja, como é possível ver na foto (o detalhe do London Eye ao fundo é de tirar o chapéu!).

Olimpíadas de Londres

Horse Guards Parade: um cenário muito bem bolado

 

O Olympic Park também era sensacional. Levava-se 20 minutos de caminhada de um ponto a outro. Havia algo em torno de umas 120 mil pessoas concentradas lá e nenhum desconforto, stress ou algo do nível. O inconveniente era as grandes filas que se formavam para as lojas e lanchonetes (a comida, diga-se de passagem, era muito cara e horrorosa).

Olimpíadas de Londres

A muvuca do Olympic Park

 

Wimbledon então, nem se fala. Tive o privilégio de ficar em um assento que custaria algo em torno de 300 libras, pagando apenas 50 libras. O chato foi que choveu muito e só consegui assistir uma de quatro partidas programadas (pelo menos, deu pra assistir Djokovic jogando não tão bem).

Olimpíadas de Londres

Wimbledon: apesar da chuva, valeu a pena!!!

 

Wembley deixou um pouco a desejar em termos de acessibilidade ao estádio, com praticamente apenas um único caminho sempre congestionado de pessoas, seja na ida, seja na volta.

Olimpíadas de Londres

Wembley. México e Japão. Segundo jogo que assisti do México. Pouco pé quente, eu!!!

 

Olimpíadas de Londres
Final de jogo em Wembley: consegue imaginar ficar duas horas preso nessa muvuca?

 

Earl´s Court, a praça do vôlei de quadra era bastante grandiosa e com uma boa configuração de assentos, com poucos pontos cegos e boa visão em qualquer lugar, do mais perto a mais distante.

Olimpíadas de Londres

Earl´s Court: Brasil e Argentina. Reparem o placar!

 

O Estádio Olímpico foi um pouco frustrante, pois a distância do meu assento à pista de atletismo era muito grande, o que dificultava tirar boas fotos e acompanhar os detalhes e reações dos atletas (isso sem contar que o telão não ajudava muito). Portanto, fica a dica de comprar um ingresso um pouco mais caro para ter uma visão melhor.

Olimpíadas de Londres

O “Cara”: Bolt, sendo premiado (não, não vi os 100 metros, só a premiação) 

 

As disputas em si

Foi um evento eminentemente caseiro. Muitos ingleses e poucos estrangeiros. E os ingleses de fato, são fracos em termos de animação. Senti falta de um público mais animado.

Até as partidas futebol, em algumas situações, ficaram meio sonolentas em função da pouca interação do público. Acredito que Copas do Mundo de futebol devam ter torcidas mais festivas do que as Olimpíadas. Boa parte dos jogos que consegui foram das primeiras fases, logo pouco competitivos. Todavia, na primeira fase é possível assistir sessões com mais jogos, tendo em vista que boa parte dos times ainda não foi desclassificada.

Em relação ao atletismo, achei muito confuso de assistir: muitas modalidades acontecendo ao mesmo tempo, sendo um pouco chato e cansativo acompanhar tudo. Mas vale a pena a sensação de ter assistido a modalidade mais nobre e tradicional dos Jogos Olímpicos.

Olimpíadas de Londres

Essa vermelhinha é Yelena Isinbayeva se preparando para um salto…

 

Bom, isso é o que tenho a dizer por agora sobre a minhas impressões sobre os Jogos Olímpicos de Londres. Sei que não deu pra falar tudo o que vi e percebi. Tentei abordar aquilo que mais me impressionou.

Estou à disposição para tirar dúvidas e dar dicas para os que acompanham esse blog. É só entrar em contato. Obrigado pela leitura e vamos esperar que em 2016 o Rio possa fazer jogos tão bons quanto os de Londres! Abraço a todos!”

* Texto e fotos por Carlos Frederico de Macedo

Siga o Nós no Mundo no Twitter: @nosnomundo

Siga o Nós no Mundo no Periscope - @nosnomundo.

No Instagram: @nosnomundo

E curta a nossa fanpage no Facebook: facebook.com/nosnomundo

Planeje sua viagem com a gente

Reserve seu hotel utilizando o Booking.com. Menor preço garantido! Se encontrar tarifa mais barata, eles reembolsam a diferença.

Alugue seu veículo com a RentalCars, a maior empresa on-line de aluguel de carros do mundo, e tenha o menor preço garantido!

Reserve uma casa pelo Airbnb e ganhe desconto no primeiro aluguel.

Compre moeda estrangeira com a Cotação. É seguro e você ganha descontos exclusivos!

* Reservando com os nossos parceiros através do Nós no Mundo, nós recebemos uma pequena comissão. Você não paga nada a mais por isso e, de quebra, ainda ajuda o Nós no Mundo a estar sempre atualizado.

Sobre Anna Bárbara

É louca por viagens! Nem acaba de chegar de uma viagem e já está pensando nas próximas (no plural, é claro!). Tem o passaporte carimbado em mais de 20 países e é apaixonada pela Ásia, ou melhor, por todos os destinos exóticos. Qual a melhor viagem? "Não há dúvida", diz ela, "a melhor viagem é sempre a próxima".

Deixe seu comentário:





* Campos de preenchimento obrigatório

** Ao enviar o seu comentário, você estará automaticamente concordando com a nossa Política de Comentários.