Que moeda levar para gastar no Chile, Argentina e Uruguai?

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Com o real valorizado e cada vez mais brasileiros turistando pelo Chile, Argentina e Uruguai, é fácil trocar reais pelas moedas locais durante a viagem. Casas de câmbio ou até hotéis sempre fazem câmbio de reais.

A moeda brasileira não é muito aceita no comércio desses países (à exceção da Argentina, onde muitos comerciantes tem aceitado real). Por isso, a necessidade do câmbio.

Foi-se o tempo em que tínhamos que levar (necessariamente) dólares para qualquer viagem ao exterior. Na América do Sul, e especialmente no Chile, Argentina e Uruguai, não vale a pena comprar a moeda americana para levá-la na viagem. Em toda operação de câmbio quem perde somos nós… E comprar dólares significa perder duas vezes, de real para dólar e de dólar para pesos. Sem falar no transtorno de ir a uma casa de câmbio duas vezes.

Qual o melhor forma de levar dinheiro para uma viagem ao exterior?

A solução mais tradicional é levar dinheiro em espécie e efetuar o câmbio em casas de câmbio.

Nas capitais e cidades maiores é fácil encontrar lojas de câmbio.

A desvantagem é que o câmbio nem sempre é bom. Nem sempre há uma casa de câmbio perto de onde você está. E nem sempre a casa de câmbio está aberta no horário que você precisa, já que o horário de funcionamento é, em geral, o horário comercial.

No Patio Bellavista em Santiago (Chile), no início do mês de julho/2012, a cotação estava 1 real = 200 pesos chilenos. Foi uma das piores cotações que encontramos.

Cotação Patio Bellavista

Muitas casas de câmbio brasileiras tem à disposição pesos argentinos, chilenos e uruguaios. Em geral, não compensa comprar no Brasil a moeda local, mas é bom pesquisar e comparar. Fiz um simulação com os valores obtidos junto à empresa Cotação, na data de hoje. O peso argetino estava cotado a 0,53 reais. E o peso chileno estava cotado a 0,004692. Em outras palavras, 1 real = 1,886 pesos argentinos ou 1 real = 213 pesos.

Considerando a cotação acima, até compensa comprar peso chileno (mas veja que a cotação para saque em caixa eletrônico ainda é melhor, como consta do item abaixo). O problema é o volume de dinheiro. São muitas notas de pesos chilenos para completar 100 reais…

Com relação ao peso argentino, pela cotação acima, não compensa comprar a moeda argentina do Brasil. Segundo a nossa leitora Andreia Borges, que voltou de Bariloche na semana passava, a cotação por lá era bem melhor: 1 real = 2,15 pesos argentinos. Veja mais detalhes aqui.

Quanto ao peso uruguaio, não obtive cotações recentes; por isso, deixo de tecer considerações. No ano passado, a melhor cotação que encontrei foi 1 real = 11 pesos uruguaios. Os detalhes estão neste post.

A solução mais prática é sacar dinheiro em caixas eletrônicos.

Existem caixas eletrônicos por todos os lados e você não precisa se preocupar com o câmbio. Além de praticidade, as taxas de câmbio costumam ser melhores do que em casas de câmbio.

Para efetuar saques no exterior é necessário ter um cartão de crédito ou débito internacional com função habilitada para uso no exterior. Não são todos os terminais de auto-atendimento que admitem o saque de turistas estrangeiros. Procure os selos da rede Plus (portadores de cartão Visa) ou Cirrus (portadores de cartão Mastercard), como na foto abaixo.

Caixa Automático Caixa Automático

Dê preferência para a utilização de cartões de débito e efetue o saque da conta corrente (e não do cartão de crédito) para pagar taxa de IOF mais barata: 0,38%.

Em alguns bancos, como o Banco do Brasil, é preciso ter cuidado com cartões que tenham simultaneamente a função de débito e crédito. Já aconteceu de selecionarmos a opção débito no caixa eletrônico e o gasto vir debitado do cartão de crédito, implicando cobrança de 6,38% de IOF. Para evitar esses problemas, peça ao seu gerente para cancelar temporariamente a função crédito do cartão para efetuar os saques. O único problema é que muitas vezes o cartão exclusivamente de débito não é aceito em alguns estabelecimento na hora de fazer compras. Para evitar problemas, tenha dois cartões: um na função débito e outro na função crédito.

Na hora de sacar o dinheiro do caixa eletrônico, selecione a opção “estrangeiro” e siga os procedimentos indicados. Há versão em inglês e espanhol. É bem simples.

Importante: A cada saque em caixas eletrônicos no exterior é cobrada uma taxa adicional pela transação. No Chile, a taxa cobrada é de $ 3.000 pesos, cerca de R$ 12. Por isso, efetue saques de valores maiores, ao invés de saques picados.

No início do mês de julho/2012, efetuei um saque no Chile de $ 200.000 pesos em um caixa eletrônico. O débito na conta corrente foi de R$ 878, 32, além de R$ 12 de taxa e R$ 3,33 de IOF. Não sou boa de conta, mas acredito que o câmbio foi o de aproximadamente 1 real = 227 pesos chilenos. Cotação bem melhor do que a da casa de câmbio do shopping Patio Bellavista.

A maioria dos caixas eletrônicos tem limite máximo de saque diário. Preste atenção nisso…

A solução que mais acumula milhagem é o cartão de crédito.

É extremamente cômodo fazer compras no exterior usando um cartão de crédito. Você não precisa se preocupar com nada, a não ser com o rombo no final do mês…

As grandes desvantagens são a variação cambial (você nunca sabe ao certo qual será o tamanho do rombo) e o alto valor do IOF: um acréscimo de 6,38% sobre todas as compras.

É preciso fazer as contas para ver se compensa utilizar o cartão de crédito para receber as milhas.

A solução mais cômoda e segura é utilizar o cartão travel money.

Esses cartões são comprados e/ou recarregados em algumas instituições financeiras. A comodidade é que você não precisa ficar carregando dinheiro em espécie e já sabe de antemão qual será a taxa de câmbio, sendo também o IOF mais barato no ato da compra/recarga.

A desvantagem é que, por ser um cartão pré-pago, você tem que disponibilizar todo o dinheiro na compra/recarga do cartão. Caso não utilize todo o valor, a cotação para devolução do dinheiro é bem ruim.

No caso de viagem na América do Sul, vale à pena utilizar esse serviço pré-pago se a compra/carga já vier diretamente na moeda local (não em dólar).

A nossa sugestão?

Diversifique. Dê preferência para saques em caixas eletrônicos, mas leve também um pouco de dinheiro em espécie para eventuais emergências. Tenha ainda um cartão de crédito ou um cartão travel money para pagar as despesas maiores ou para eventuais emergências.

Dicas importantes:

- O câmbio no aeroporto é sempre ruim. Se for fazer câmbio, troque o mínimo de dinheiro possível. Dê preferência para efetuar saque diretamente de sua conta corrente em um caixa eletrônico.

- Casas de câmbio em shoppings são como facas de dois gumes. Se por um lado há a comodidade e segurança, por outros a cotação costuma ser pior do que outras casas de câmbio. Em Buenos Aires, a pior cotação que vi foi na Galerias Pacífico. Em Santiago, a cotação do Patio Bellavista também não era das melhores.

- A cada saque em caixa eletrônico no exterior é cobrada uma taxa adicional pela transação. Evite, portanto, os saques picados.

- Segundo a Lei de Murphy, imprevistos sempre acontecem. Não ande nas ruas com todos os seus cartões, nem com todo o dinheiro. Anote o número dos seus cartões e deixe em lugar seguro, para facilitar o cancelamento em caso de extravio. Sempre tenha uma reserva de dinheiro para emergências.

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  1. Anna, muito boas as suas dicas!

    Realmente, a cotação de aeroporto é muito ruim.

    Para Bariloche levei dinheiro em espécie e troquei na loja da r. Mitre, troquei um pouco na casa de câmbio também. Tentei usar mais dinheiro em espécie para não pagar IOF. Mas utilizei um pouquinho o cartão de crédito também… bjs

  2. estou pensando em ir ao Uruguai, Argentina e Chile. Não pretendo fazer compras nem noitadas. Quanto devo levar para o dia a dia? Alimentação, transporte e outros deslocamentos?

  3. Anna, em janeiro deste ano (2013) estive na Argentina. Optei por levar a maior parte em dinheiro no VTM e peso argentino… Perdi MUITO dinheiro. A tecnologia usada nos VTM não é compreens´´ivel por muitas máquinas de cartões de lá… tentei em várias lojas/restaurantes e poucos aceitavam. Tive que sacar de 1.000 em 1.000 pesos e, com isso, era cobrada uma taxa de quase 20 pesos por transação. Além disso, todas as lojas/restaurantes que passei aceitavam reais por melhor cotação que qualquer casa de cambio… na próxima, só levarei reais. Estou indo para o Chile e junho próximo e, pela experiência vivida, estou receosa em fazer VTM, apesar da recomendação de minha agente de viagem.

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