Manaus: dicas básicas para conhecer a Amazônia

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Quando ir

Devido à proximidade com a linha do Equador, Manaus apresenta basicamente duas estações definidas: a seca e a chuvosa. O período da seca vai de junho a novembro e a estação chuvosa ocorre entre dezembro e maio. De qualquer forma, independentemente da época do ano, o calor e a umidade são constantes.

Viajamos no mês de junho e os rios estavam bem cheios, em decorrência das chuvas no meses anteriores. Os termômetros marcavam pouco mais de 30ºC, mas a sensação térmica era muito maior. No Centro de Manaus, onde a circulação de ar é menor por conta das casas e edifícios, a sensação era a de que estávamos derretendo. Próximo ao rio ou na floresta a sensação é bem mais agradável.

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Fotos: Arquivo pessoal. Apesar de populosa, Manaus tem ar de cidade do interior.

Ouvimos muitos elogios sobre visitar a cidade na época da seca, por conta das praias de rio. Dizem que com a seca dos rios praias de areia branquinha são formadas, e é uma delícia curtir o dolce far niente na margens do rio, se refrescando com um banho de água doce de vez em quando. Mas quando fomos ainda não dava para curtir as praias…

Quanto dias ficar

Definir a duração de uma viagem é algo bem pessoal, que depende dos objetivos de cada um. Para ter uma visão panorâmica e superficial de Manaus e da Amazônia, dá para cogitar um roteiro de 3 ou 4 dias. Por exemplo, um ou dois dias em Manaus e dois dias em hotéis mais próximos da floresta.

O que levar na bagagem

Chapéu, óculos escuros e filtro solar são absolutamente indispensáveis! Se você também tiver um leque, leve-o. Consegui um daqueles leques de papel, com propaganda de lojas, que virou meu companheiro na visita ao Centro Histórico de Manaus. Não conseguia parar de me abanar, tamanho o calor que fazia.

Repelente também é fundamental. Para a nossa surpresa, não tinha tanto mosquito como esperávamos. Acho que foi, além de sorte, a época do ano. Mas como já aprendemos a lição em Barra de São Miguel/AL, onde fomos atacados por uma legião de mosquitos, tínhamos até dois tipos diferentes de repelente: um em spray e um repelente em loção (Johnson’s baby Loção Antimosquito, que, por sinal, gostei muito. Tem cheiro bem suave e não é pegajoso). Ainda bem, pois no aeroporto, ao passarmos no Raio X, um dos funcionários confiscou o nosso repelente spray, dizendo que o produto tinha algum composto químico que o impedia de ser levado como bagagem de mão. Não entendi ao certo, mas achei que não valia a pena tentar argumentar…

Para quem não gosta de tomar sol, como eu, levar uma blusa de manga comprida é um ótimo negócio. Indico aquelas blusas de tecido tecnológico – utilizadas para fazer exercícios físicos - que são bem fininhas e permitem que o corpo respire.

Quem quiser fazer caminhadas na mata, a indicação de traje é tênis, calça comprida e blusa de manga comprida. Para os demais passeios, seja na mata ou em Manaus, não há indicação de roupa específica.

Por último, lembre-se de levar pouca bagagem, especialmente se for se hospedar em hotel de selva ou se for fazer passeios exijam deslocamento de barco. A chance de você ter que carregar a sua bagagem é bem grande. Se conseguir, o ideal é mesmo levar uma  só mochila para uma viagem curta.

Onde ficar: Manaus x Hotéis de selva

É interessante se hospedar em Manaus, para conhecer a cidade, e também se hospedar em um hotel de selva (também chamados de jungle lodges) para curtir a floresta mais de perto. Ainda que nós, particularmente, não tenhamos gostado do Hotel de Selva onde nos hospedamos, acho a ideia interessante, pois, em tese, permite um contato mais estreito do visitante com a floresta.

Mas tenha em mente que os preços dos hotéis de selva são super elevados (como grande parte da clientela é gringa, os preços são praticamente dolarizados) e o serviço, em geral, é bem ruim.

Em Manaus, dois bairros interessantes para se hospedar são o Centro e Adrianópolis. O Centro é uma excelente opção para aqueles que pretendem ficar na cidade apenas um dia, dada a proximidade com as principais atrações turísticas da cidade, como o Teatro Amazonas, o Relógio Municipal, a Igreja Matriz, que podem ser percorridas facilmente a pé.

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Fotos: Arquivo pessoal. Teatro Amazonas e rua de casinhas coloridas próxima ao teatro.

Ficamos no Hotel Saint Paul e gostamos bastante. O hotel é simples, tem ótimo custo-benefício e fica a uma curta caminhada do Teatro Amazonas (os detalhes da hospedagem vou escrever em outro post).

A desvantagem do centro é que saindo do centrinho turístico é possível ver a falta de estrutura e a pobreza da cidade, com ruas sujas, casas caindo aos pedaços e garotas de programa oferecendo seus serviços pelas ruas. Mesmo assim, fica o registro de que área turística é segura e limpa. E a dica é se ater a ela.

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Foto: Arquivo pessoal. Rua com aparência decadente no centro de Manaus

Já o Bairro de Adrianópolis é um bairro moderno, muito arborizado e com edifícios altos. Por ali fica concentrada grande parte dos hotéis mais novos e de grande cadeias, como Blue TreeMercure e Quality. Ficamos no Blue Tree Premium e gostamos do quarto espaçoso, mas a crítica fica por conta da inexistência de wifi (só tinha internet a cabo). Erro crasso para um hotel dessa categoria.

No bairro também está o Shopping Manaura, um dos maiores shoppings da cidade e, nas proximidades, fica o Bosque da Ciência, uma enorme área com muita vegetação e animais, que funciona quase como um zoológico de espécies nativas da Amazônia.

A distância de Adrianópolis até o centro não é muito grande. São cerca de 5km. Porém, por conta do calor, é indicado pegar um táxi (ou ônibus) para chegar ao centro histórico.

Parece que o bairro de Ponta Negra também é uma boa opção de hospedagem.  Contudo, como o bairro está passando por muitas reformas por conta da Copa do Mundo, não sei dizer se é um bom lugar para se hospedar atualmente.

Do aeroporto até o centro de Manaus

Os táxis são o meio mais prático para deixar o aeroporto de Manaus em direção à cidade e vice-versa. Os preços por lá são tabelados. Custa R$ 55 para ir do aeroporto até os principais destinos turísticos: Hotel Tropical, Centro ou bairro de Adrianópolis.

Atrações imperdíveis

Em Manaus, não deixe de fazer a visita guiada no Teatro Amazonas. Se conseguir, comprar ingressos para assistir a uma peça ou a uma Ópera ali, melhor ainda. O difícil é conseguir encontrar a programação pela internet. O Portal de Cultura do Estado do Amazonas é péssimo. O melhor é se informar pelo telefone (92) 3232-1768.

Para conhecer os principais pontos turísticos da cidade, há um ônibus de turismo de dois andares que faz um city tour panorâmico. Por incrível que possa parecer, o ônibus estava quebrado no período em que estivemos na cidade… Quem se interessar, e tiver mais sorte, pode buscar mais informações aqui. Custa R$ 60 por pessoa e as saídas são feitas do Centro de Atendimento ao Turista, na Avenida Eduardo Ribeiro, ao lado do Teatro Amazonas.

Bosque da Ciência é outra atração interessante. Lá é possível ver ariranhas, jacarés, peixe-boi, cutias… Não deixe de entrar na Casa da Ciência, uma espécie de museu, para ver o tamanho da maior folha dicotiledônea encontrada na Amazônia brasileira.  É de ficar com o queixo caído… são quase 2 metros de comprimento!

Um passeio imperdível – e o melhor de toda a viagem, na minha opinião – é o Encontro das Águas. Nem tanto para ver o encontro das águas do Rio Negro e Solimões, mas para seguir de barco pelo igarapé (floresta alagada), onde é possível ver a vitória-régia e a Samaúma, uma árvore enorme, considerada a “rainha da floresta”. Neste passeio também visitamos comunidades ribeirinhas, vimos as casas flutuantes e participamos de uma “pescaria” de Pirarucu. É, na verdade, uma pescaria ecologicamente correta. Você só finge que pesca o pirarucu, mas logo o devolve para a água.

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Fotos: Arquivo pessoal

Para fazer esse passeio, recomendo seguir as dicas da Cris Tomasi do blog Carpe Diem e fazer um passeio privado. O passeio durou entre 2h30 e 3h e pagamos R$ 300. Nas agências de turismo que pesquisamos, o mesmo passeio durava o dia inteiro (por ser em barco lento) e custava por volta de R$ 200 por pessoa.

Também deve ser fantástico sobrevoar a floresta em um hidroavião. O único problema são os preços, em torno de R$ 450 por pessoa (mínimo de 2 passageiros), para voos de 30 minutos. Veja mais detalhes em http://www.seaplanetours.com.br/pt/roteiros.html.

Nós tivemos que nos contentar como a linda vista do avião que nos trouxe de volta para Brasília…

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Foto: Arquivo pessoal

Na floresta, não deixe de ver os botos cor-de rosa. Faça também o passeio noturno para a focagem de jacarés. Dizem que a pescaria de piranhas também é um ótimo programa, mas faltou tempo para experimentar essa pescaria.

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Foto: Arquivo pessoal

Experimentar a culinária amazonense é outro ponto alto da viagem. Os peixes – tambaqui, pirarucu e tucunaré – são o grande destaque. E o tucupi está sempre presente para acompanhar os pratos. O tucupi é feito com sumo azedo da mandioca e tem coloração verde-amarelado a cinza-escuro e sabor forte. A leve sensação de dormência na língua causada pelo tucupi é uma delícia!

Prove a costela de tambaqui e o pirarucu de casaca.

ManausFoto: Arquivo pessoal. Fotos de pratos regionais no cardápio do restaurante Banzeiro.

Outros destaques super indicados são o tacacá - caldo grosso feito com tucupi, folhas de jambu, goma de tapioca e camarões, o X – Caboquinho - pão francês, queijo coalho e tucumã, uma fruta típica da Amazônia e a banana frita, que pode ser doce ou salgada, a depender do gosto do freguês.

Para os doces, sugiro os sorvetes de açaí e cupuaçu. Não volte para casa sem experimentar pelo menos um deles. Já no aeroporto é possível experimentar o sorvete ou picolé Glacial, que é maravilhoso. A torta de cupuaçu com chocolate da Tortas & Tortas também é uma perdição!

Dicas de restaurantes

Para apreciar a ótima gastronomia local, a dica é o restaurante Banzeiro, localizado no bairro de Adrianópolis. Não deixe de provar o pastel de pato e a costela de tambaqui frita.

Para tomar um drink, vá à Cachaçaria do Dedé & Emporio, no Shopping Manaura ou no bairro Parque 10.

Para uma baladinha à noite, sugiro O Chefão, um bar inspirado no filme O Poderoso Chefão, ou A Viúva, uma classuda champanharia de inspiração francesa. Os dois restaurantes são do mesmo dono e ficam na mesma rua do Centro de Manuas, um praticamente em frente ao outro.

Depois vou postar as fotos e todos os detalhes dos lugares e passeios mencionados neste post.

Mais informações sobre a cidade em www.visitamazonas.am.gov.br.

 

* Para terminar, não posso deixar de registrar meus agradecimentos aos amigos de twitter Cris Tomasi (@cristomasi), Guilherme Didier (@guiladidier) e Leonardo Marques (@leomc) que me passaram ótimas dicas de passeios, lugares e comidas em Manaus.

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  1. Oi, Anna Bárbara.
    Sou de Brasília e há algumas semanas uma amiga que fez faculdade comigo no Uniceub me apresentou o seu blog. Estou amando!!! Adoro viajar e, mais ainda, adoro registrar o que encontro nos lugares por onde passo…
    Tenho algumas viagens no forno… Imagino que com você seja assim, também. Há sempre a próxima e a próxima e a próxima.
    Você teria alguma informação sobre Cuba?
    Parabéns pelo lindo trabalho!
    Cristianne

  2. Oii Anna.. estou indo a manaus fazer uma prova e queria aproveitar para passear. Olhei um pacote pela agência de turismo só que to achando muito caro. Vi que vc contratou um barco para conhecer os locais… vc acha que vale a pena? estou indo com mais 2 amigos..
    quais os locais que vc indica? aguardo resposta..

    att.. renataaa

  3. Oi Anna! Adorei as dicas, principalmente do leque, já deixei reservado! Vou para Manaus em julho com meu filho de 8 anos e qdo ele viu a foto do boto ficou todo entusiasmado, mas onde poderemos interagir com os botos, não deu para identificar …

    • Olá Leila!
      Fico feliz que tenha gostado das dicas!
      Nós interagimos com os botos em dos passeios que fizemos no hotel de selva onde ficamos hospedados.
      Há alguns lugares às margens do rio que cuidam dos botos e recebem turistas interessados em interagir (em alguns passeio é possível nadar) com os botos.
      Acabou que com a correria do dia a dia não escrevi um post sobre esse passeio…
      Dê uma olhada nesse texto escrito pela blogueira Cris Tomasi: http://cristomasi.wordpress.com/category/brasil/a
      Espero que tenha ajudado!
      Bjs, Anna

  4. Estive em Manaus de 12 a 16 de setembro. Ficamos hospedados no Park Suítes que tem uma piscina deliciosa às margens do Rio Negro, de onde se pode ver o pôr do sol mais lindo do mundo. Amamos nadar com os botos é imperdível!! Tb jantamos duas noites no Banzeiro, que é ótimo. Quero deixar aqui a dica de fazer os passeios com um barco pequeno com o Capitão Té (92) 94483690 ou 9113125o, ele tem um barco com toda a documentação OK e é super atencioso.

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