Mendoza: dicas básicas

Mendoza é a região vinícola da Argentina por excelência. Por lá, existem inúmeras bodegas – como são chamadas as vinícolas. Das pequenas com produção orgânica às gigantescas bodegas com produção industrial, cada uma tem seu encanto. A maioria permite que os visitantes conheçam a forma de produção dos vinhos e os barris onde os vinhos amadurecem; e no final, ocorre a aguardada degustação dos vinhos da casa. Durante o almoço, muitas bodegas oferecem verdadeiros banquetes gourmets harmonizando cada prato com um vinho diferente.

Mas para participar das degustações e dos almoços harmonizados é necessário fazer reserva com antecedência. Poucas são as bodegas que recebem visitantes sem horário agendado. Por isso, mais do que em qualquer outra viagem, uma estadia em Mendoza demanda um planejamento prévio. Imagina ir até lá e não conhecer nenhuma bodega…

Mas o planejamento não se limita a escolher as bodegas para visitar. Inclui também decidir como se dará o transporte entre as vinícolas, a quantidade de bodegas a serem visitadas em um dia e optar por fazer ou não passeio alternativos às bodegas. Isso sem mencionar os questionamentos básicos de qualquer viagem: quantos dias ficar, quando ir e onde se hospedar…

Veja então as nossa dicas:

Quantos dias ficar

É bem difícil dizer quantos dias ficar em qualquer destino do mundo. Afinal de contas, por mais tempo que passemos no lugar, ainda assim haverá coisas para ver, conhecer e aproveitar.

No nosso caso, chegamos em uma sexta à noite – de madrugada, melhor dizendo, graças as vários atrasos nos voos da Aerolíneas Argentinas – e voltamos na quarta-feira seguinte. Foram então 4 dias na cidade. Na minha opinião 4 ou 5 dias na cidade é um tempo razoável para conhecer o mais importante da região, mas, sem dúvida, tem programação para curtir mais dias.

Quando ir

Penso que qualquer época do ano é boa para conhecer a cidade. Em fevereiro/março há a grande vantagem de ver os parreirais verdinhos e, se der sorte, participar da colheita das uvas. A festa da Vendimia, festa de celebração de colheita da uva, ocorreu neste ano de 2011 no período do Carnaval. Apesar de termos ido nesta época, não conseguimos participar da festa, pois era necessário adquirir ingressos com antecedência.

A temperatura no mês de março estava bastante agradável. Muito sol durante o dia e uma leve brisa à noite. Mesmo sendo verão, podíamos apreciar os picos nevados da Cordilheira dos Andes.

Hotel Aguamiel

Hotel Aguamiel

Fotos: Arquivo pessoal. Fotografias feito no Hotel Aguamiel onde estávamos hospedados.

No inverno, a temperatura cai bastante e os parreirais perdem um pouco do charme, quando as folhas caem. A vantagem, no entanto, é poder curtir as estações de esqui que ficam próximas à cidade.

Onde se hospedar

Em Mendoza existem muitas opções de hospedagem capazes de agradar a todos os gostos e bolsos.

Quando fomos para lá já sabíamos de antemão que não queríamos uma hospedagem tradicional. Queríamos um pousada pequena, charmosa, no meio do parreiral. Pensamos inicialmente no Cavas Wine Lodge e na pousada da bodega Terrazas de los Andes, mas não havia mais disponibilidade. Escolhemos então o Hotel Aguamiel e tivemos uma maravilhosa supresa. Era realmente o que buscávamos!

Hotel Aguamiel Hotel Aguamiel

Fotos: Arquivo pessoal. Hotel Aguamiel.

A vantagem de ficar hospedado nas bodegas é, sem dúvida, curtir o clima bucólico e único de estar rodeado pelo barreiral, com a possibilidade de “roubar” um cacho de uva quando der vontade…

A maior desvantagem é que muitas da ruas para chegar às bodegas são mal sinalizadas e não têm alfasto. Chegar até lá de carro alugado pode ser uma aventura. O nosso GPS sequer reconhecia as ruelas por onde passávamos. Outra desvantagem é distância do centro – cerca de 20 minutos de carro de onde estávamos hospedados.

Para quem prefere o burburinho das lojas e das pessoas caminhando no centro, também existem boas opções na cidade de Mendoza. O hotel mais famoso e imponente é o Park Hyatt.

Aluguel de carro x remis x wine tour

O que é melhor alugar um carro, contratar um remis (táxi com preço fixo, calculado com base na distância) ou contratar um wine tour? A resposta: depende do seu perfil.

Quando fomos, eu tinha a certeza de que alugar um carro estava fora dos nossos planos. Estávamos em quatro pessoas e ninguém queria ser o “amigo da vez”. Além disso, já sabíamos das dificuldades de conduzir pelas pequenas ruelas onde ficam as bodegas. Por isso cogitamos apenas o remis ou o wine tour.

A vantagem do remis é ter o carro e o motorista sempre a sua disposição. Assim, é possível estabelecer seus próprios horários e sempre há a possibilidade de alterar o roteiro na última hora.

Comparamos os preços de 4 empresas: Vintura, Luxury Trip, Alex Transfer e Rumbo. As duas primeiras foram indicações da Revista Viagem e Turismo. Já as duas últimas vimos indicações na internet e o contato foi todo feito por email, respectivamente alextransfers@hotmail.com e rumboremis@speedy.com.ar. (Vide comentário abaixo informando que o serviço da Rumbo Remis não foi nada satisfatório).

Veja a tabela com o comparativo do preços.

No final, optamos pela Luxury Trip, por conta do preço e da segurança, por se tratar de uma empresa mais reconhecida. O serviço foi satisfatório, mas em alguns aspectos deixou a desejar. Pelo que percebi nosso motorista foi subcontratado e não sabia de todas as informações que já tínhamos combinado com a Luxury Trip. Por duas oportunidade chegamos em bodegas para fazer visitas e não localizaram nossas reservas. Apesar do susto (e aborrecimento) inicial, o Sr. Gustavo Garritano, nosso contato na Luxury Trip, resolveu a situação rapidamente, e fizemos todos os passeios planejados.

Só para deixar registrado, todas as nossas reservas de degustações e almoços nas bodegas foram efetuadas pela empresa Luxury Trip. O custo do serviço de marcação foi de 200 pesos argentinos. Recebemos, ao final, um desconto de 8% para pagamento em dinheiro. Para fazer a reserva tivemos que fazer um depósito via Western Union no percentual de 10%. Combinamos que o motorista ficaria à nossa disposição todos os quatro dias, por 10 horas diárias, com a limitação de rodarmos no máximo 300km/dia.

Os wine tours são excursões privadas ou não em que a empresa contratada se encarrega de organizar todo o seu roteiro, apresentando as sugestões de bodegas a serem visitadas. A grande vantagem é não ter nenhuma preocupação com o planejamento do roteiro, pois no preço já está tudo incluído: transfer, traslados, guia, almoços e degustações. A desvantagem é o valor, muito superior ao do remis.

Quantas e quais bodegas visitar

Não faltam opções de bodegas para visitar em Mendoza. O que considero legal é misturar bodegas internacionalmente famosas com bodegas pequenas, quase familiares. Assim dá para sentir um pouquinho dos “dois mundos”.

Nossa programação inicial abrangia 6 bodegas: Familia Zuccardi, ChandonTrapicheAlta VistaTerrazas de los Andes e Catena Zapata. A idéia era visitar três bodegas no primeiro dia, mais três bodegas no terceiro dia e fazer uma programação alternativa às bodegas no segundo e quarto dia, para também curtir a cidade, além dos vinhos.

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Fotos: Arquivo pessoal. Bodegas Catena Zapata e Terrazas de los Andes

Logo no primeiro dia vimos que não daria certo. Como o objetivo era descansar, três bodegas por dia ficava muito cansativo. Aliás, com o almoço degustação de 6 pratos na bodega Chandon, ficamos lá por mais de quatro horas…

Optamos então por visitar 2 bodegas por dia: uma de manhã, por volta de 11h e outra por volta de 1 da tarde, e já ficávamos lá para o almoço.

No final das contas, visitamos a Zuccardi, a Chandon (degustação e almoço), a Catena Zapata, a Terrazas de los Andes (degustação e almoço) e, no último dia, durante o passeio de bicicleta, ainda arrumamos um tempinho para conhecer a bodega Carinae, que fica próxima ao hotel onde estávamos. O que achamos de cada uma delas é assunto para um outro post…

Mendoza além das Bodegas

Se engana quem pensa que as atividades em Mendoza se limitam às degustações de malbec, torrontés ou espumantes. Esporte radicais como rafting, caique, mountain bike, tirolesa, ou esportes não tão radicais como cavalgadas, passeios de bicicleta e caminhada no Parque Provincial Aconcágua são opções para quebrar a rotina de degustações e visitas às bodegas todos os dias. Depois do quarto wine tour, tudo começa a ficar um pouco repetitivo.

Mendoza Mendoza

Fotos: Arquivo pessoal. Rafting

Combinar as degustações de vinhos com uma ida ao spa, para experimentar talvez massagens com óleos à base de vinho também não soa nada mal…

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Sobre Anna Bárbara

É louca por viagens! Nem acaba de chegar de uma viagem e já está pensando nas próximas (no plural, é claro!). Tem o passaporte carimbado em mais de 20 países e é apaixonada pela Ásia, ou melhor, por todos os destinos exóticos. Qual a melhor viagem? "Não há dúvida", diz ela, "a melhor viagem é sempre a próxima".

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